sábado, 17 de outubro de 2009

CARLOS MINC para o Planeta Sustentável

Olá, coletei fragmentos da entrevista do nosso querido Carlos Minc, ministro do meio ambiente para o site PLANETA SUSTENTÁVEL.




Ministro, de onde surgiu essa mania pelos coletes?

Pois é, alguém descobriu uma foto minha em Portugal, no exílio, com colete. Mas eu não usava tanto como agora. Hoje em dia, se não uso, as pessoas ficam chateadas comigo. Virei refém do modelito. Perguntam se foi roubado, se sujou se rasgou, ou coisas como “você não gosta mais de mim?” [risos].


Mas qual é a origem do hábito?

Bom, todo mundo já usou um colete na vida. Colete pode ter várias cores, não pesa que nem um casaco, é ideal para um lugar quente como o Rio de Janeiro, pode ser usado numa festa. Em suma, é uma peça do vestuário que te dá muita flexibilidade. Uma camisa lisa com colete fica uma coisa muito criativa. Esse que eu tô usando [pega na própria roupa], olha as bossas dele, é todo cheio de trico-trico, todo bonitinho. Isso aqui [aponta para as bolinhas verdes] olha isso aqui, são os botões!


Lindo mesmo, ministro.

E eu tenho vários assim!


Quantos?

Quando virei ministro tinha 32. Agora tenho 56. Ganhei vários. Vou ganhar mais um semana que vem. Os alunos de uma universidade de moda do Rio fizeram um colete ecológico pra mim. Outro dia alguém disse que foi a um chorinho em Laranjeiras [bairro da zona sul do Rio de Janeiro] e lá sempre tem uma pessoa vendendo um CD, um artesanato, e ele vendia o colete Minc.


Não era o caso do senhor cobrar royalties?

Achei legal, porque agora tá pegando essa história do colete. Algumas grandes redes estão lançando a peça. Então já dei minha contribuição pro lado fashion.


Há um boato na internet que seus coletes são à prova de bala.

Não são. Até hoje nenhum foi. Colete à prova de balas pesa 3,4 quilos.


Por falar em boatos, há muitas histórias obscuras a respeito de sua biografia. Sugiro ao senhor que usemos o espaço dessa entrevista para esclarecê-las.

Quais são as suas dúvidas?


Um dos aspectos mais obscuros de sua vida diz respeito à sua participação no roubo do cofre do governador paulista Adhemar de Barros, em 1969 [os guerrilheiros levaram 2,5 milhões de dólares]. Qual foi exatamente a sua participação nesse episódio?

Eu fui acusado disso, mas nunca foi provado nada a respeito. As pessoas eram torturadas, confessavam qualquer coisa, então eu não assumo essa participação. Todas as pessoas eram acusadas de qualquer coisa.


Então o senhor... [Interrompendo]

Não. Eu não assumo essa participação.


O senhor foi torturado?

Como todo mundo. Era o lado democrático da ditadura. Porrada pra todo mundo, um horror. Você fica totalmente entregue à máquina de torturar miolos. Um dos lugares onde me torturaram foi a Vila Militar, em Realengo, no Rio. E lá, não muito longe, tinha uma escola. As crianças ouviam gritos e as professoras reclamavam. Então eles punham música alta para as crianças não ouvirem os gritos. Só que quando a música começava as crianças choravam, porque sabiam que alguém estava sendo massacrado.


O senhor fazia parte da luta armada?

Digamos que participei de várias formas do movimento de resistência. Eu estava na clandestinidade, mas tenho uma resistência a entrar nessas questões porque tudo isso é muito desqualificado pelos próprios ditadores, e tinha essa história das torturas. Então prefiro dizer que participei sob as formas que existiam, como vários jovens da minha geração, sem nenhum destaque especial.


A época da ditadura coincide com a revolução sexual. O senhor viveu intensamente os anos de amor livre?

Vivemos. Tinha a teoria das relações múltiplas. Era tudo teorizado. As pessoas criticavam a monogamia burguesa, diziam que era uma relação de propriedade. Não era nada do tipo “vamos cair na gandaia”, era uma coisa impregnada de conteúdo revolucionário.


Tudo era ideologizado, inclusive o sexo.

Menos na hora agá, né? No nosso meio não havia fidelidade. Você podia namorar com uma pessoa e sair com outra. E naquela época não tinha Aids.


As garotas eram de fato tão liberais?

As meninas de esquerda eram mais livres. Também havia alguns líderes estudantis que, embora também tivessem um discurso contra a ditadura, eram mais conservadores. E a gente queria trazê-los pra esquerda. Quando todos os argumentos ideológicos fracassavam, o argumento final era o seguinte: “Olha, nossas meninas são livres para namorar, não são que nem essas burguesinhas que não dão pra ninguém” [risos]. Aí muita gente veio para a esquerda.


Bom argumento.

E definitivo! Muito superior a Che Guevara e Marcuse.


O senhor saiu da prisão em 1970, na troca pelo embaixador alemão [Ehrenfried Anton Theodor Ludwig von Holleben foi seqüestrado pela guerrilha e libertado em troca de 40 presos políticos] e seguiu para a Argélia. O que fazia lá? Nosso grupo ficou numa espécie de hotel-escola. A gente entrava em contato com a família, cuidava da saúde, provava um pouquinho a liberdade [risos]. Todo mundo tinha saído da prisão. Se bem que era um país que tinha a moral religiosa mais forte.


Por falar em homossexuais, é fato que o senhor adora paradas gays?

Adoro! Fico em transe. Me divirto, solto geral. Geral! Não perco uma. Mas não sou daqueles que fazem discurso e vão embora, não! Fico dançando até o fim. Eu me sinto à vontade. Fiz muitas campanhas também. Teve uma que fiz com o Fernando Gabeira [deputado federal] no Le Boy...


Sua última parada foi em Portugal, onde conheceu sua mulher (na época do exílio).

A Guida era minha aluna. Dizem, mas não provam que ela sentava na primeira fila, cruzava as pernas e me levava uma maçã. Ela nega. Pode ter sido uma tara que eu construí.


O senhor dividiu apartamento com o deputado Fernando Gabeira em Paris e, na volta ao Brasil, vocês fundaram o Partido Verde. O senhor não se sentiu constrangido em não apoiá-lo na disputa para a Prefeitura do Rio de Janeiro [Carlos Minc apoiou Eduardo Paes, que venceu a eleição]?

Senti. Mas por outro lado tem a questão de uma certa ética da responsabilidade.


Como assim?

Eu fui para o PT em 1989, na primeira campanha do Lula. Eu fui de uma ala do PT da qual o Chico Mendes havia participado – ele já tinha morrido assassinado em 88. Havia várias alas dentro do PT e tinha o lado mais ecológico e libertário. E eu estou no PT até hoje. Muita gente ficou achando que eu fui do PV durante esses anos todos. O que existia na verdade era uma relação PV-PT. Em 2002, o Gabeira se chateou com o PV, veio para o PT e a gente fez uma dobradinha. Sempre tinha a mística Minc-Gabeira, Gabeira-Minc, festas que a gente dava. No primeiro ano do governo Lula, o Gabeira se chateou com várias coisas e acabou voltando para o PV. Mas, ao longo do tempo, o PV não conseguiu se firmar.


Como o senhor avalia o trabalho dela (Marina Silva) no Ministério?

A Marina foi a melhor ministra do Meio Ambiente, talvez, da América Latina. Mais do que isso, ela se transformou num mito. Fez da sua fragilidade uma força moral e ética – foi contaminada por mercúrio, tem problemas de coluna e, ainda assim, enfrentou avião, a floresta Amazônica, o exterior, tudo com aquele xale dela. Ela tem uma coisa que me lembra muito o Betinho [Herbert José de Souza, sociólogo, idealizador do projeto Ação da Cidadania Contra a Miséria e pela Vida, morto em 1997].


Houve também o episódio das batatas nas válvulas de escape dos ônibus.

Eu brigava com os ônibus urbanos por causa da fumaça preta que eles liberam. Fiz uma lei sobre isso, mas ninguém lia. Então decidi colocar batatas nas válvulas e os ônibus acabaram parando. Isso é um instrumento de luta. Vou duas vezes por mês, no mínimo, à Amazônia. E prometo que vou fazer isso até o último dia do mandato. Assim eu fico sabendo como as coisas estão na linha de frente. Vejo carro do IBAMA crivado de balas, o pessoal sem aparelho de comunicação. E outra coisa, o ministro subir em cima do trator e derrubar forno de carvão levanta a moral do pessoal. A pessoa sai na TV, valoriza. Isso também ajuda a dissuadir os criminosos ambientais.


Como assim?

Outro dia, apareceu na TV um sujeito que tinha uma fazenda de soja dentro de uma área protegida e eu dizendo: “Vamos embargar, você vai perder a sua soja e o dinheiro da venda vai servir para recuperar o crime ambiental que você cometeu nas nascentes deste rio”. Muitos que estão fazendo algo parecido viram a cara do proprietário, que foi preso. Isso desestimula quem acha que o Brasil ainda é a terra da impunidade. Tem gente que acha que sou porra louca, porque faço coisas que ninguém tinha feito, como leiloar boi pirata, e coisas que não se imaginaria que um ecologista fizesse,como acordos com o setor da soja. É possível ser firme e abrir um canal de diálogo.


Muito prazer. Parabéns, ministro, sua esposa é muito bonita.

Guida, você sabia que eu contei para ela todas as suas taras sexuais? [Guida faz cara de espanto].


É verdade. Estou em choque.

Todas, Guidinha, contei tudo [Guida vai embora com ar incrédulo].


Ministro, muito obrigada.

Ufa. Nunca contei tantas coisas numa entrevista.




Para ter acesso a toda entrevista, acesse: http://www.planetasustentavel.com.br/

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Paisagens Ensolaradas de Pontos Turísticos

Confira imagens dos pontos turísticos de Salvador. Logo logo, postarei mais imagens de outros pontos turísticos da cidade da ALEGRIA!

Na primeira imagem temos o Caminho para Cristo







Cristo de Salvador e foto panorâmica da av. Oceânica, na ponto observamos o Farol da Barra, respectivamente.










sábado, 25 de abril de 2009

PIADA

Uma mulher foi levada às pressas para o CTI de um hospital. Lá chegando, teve a chamada 'quase morte', que é uma situação pré-coma, e neste estado, encontrou-se com Deus:

- Que é isso? - perguntou ao Criador - Eu morri?
- Não, pelos meus cálculos, você morrerá daqui a 43 anos, 8 meses, 9 dias e 16 horas - respondeu o Eterno.

Ao voltar a si, refletindo o quanto tempo ainda tinha de vida, resolveu ficar ali mesmo naquele hospital e fez uma lipospiração, uma plástica de restauração dos seios, plástica no rosto, correção no nariz, na barriga, tirou todos os excessos, as ruguinhas e tudo mais que podia mexer para ficar linda e jovial. Após alguns dias de sua alta médica, ao atravessar a rua, veio um veículo em alta velocidade e a atropelou, matando-a na hora. Ao encontrar-se de novo com Deus, ela perguntou irritada:

- Puxa, Senhor, você me disse que eu tinha mais 43 anos de vida. Por que> morri depois de toda aquela despesa com cirurgias plásticas!!???

E Deus aproximou-se bem dela e, olhando-a diretamente nos olhos, respondeu:

- CRIATURA, NÃO TE RECONHECI !!!!!!!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Importância do Trabalho na Vida Humana




Quando conhecemos pela primeira vez o conceito do trabalho (toda atividade na qual o ser humano utiliza sua energia para satisfazer necessidades ou atingir determinado objetivo), não imaginamos quão abrangente e profundo esse conceito nos traduz. O poder do trabalho nos leva a dar evasão a tudo aquilo que pensamos, para que então, o ser humano possa produzir. E é a partir dessa produção, daquilo que necessitamos (ou não) é que iremos ver se só é o prazer que o trabalho nos traz.
Segundo o alemão Friedrich Hegel, é através do trabalho que o ser humano se liberta, pois exercemos domínio sobre a natureza.





No entanto, em outra vertente interpretativa desenvolvida por Marx, o poder libertativo do trabalho, limita-se, no momento em que o trabalhador vende a sua mão de obra ao sistema. Movido por esse conceito de trabalho, Karl Marx denunciou o trabalho forçado, em que o capitalismo submete o homem, criando-se o conceito de “processo de alienação”. Nesse processo identificam-se dois momentos distintos: o da objetivação e o da alienação. Para criar, para exteriorizar a criatividade humana, devemos ter algo como objetivo, uma meta, assim ocorre a objetivação. Após a produção, do que no passado objetivamos, o homem não identifica sua obra como sua, resultando em alienação, haja visto, que caíra na imensidão do sistema, sendo assim uma cria com sua paternidade não identificada.
Por Rebeca Melo D.C

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Bertha Becker: Um projeto para a Amazônia



Há 30 anos, a pesquisadora percorre os estados da Amazônia e testemunha a ocupação e a devastação da floresta. Bertha destaca-se de outros intelectuais ao sugerir que a economia é a solução essencial para a preservação. Seu livro, "Um futuro para a Amazônia", lançado recentemente, com Claudio Stenner, quer despertar o interesse dos jovens pela região

Por Maurício Barros de CastroRevista National Geographic
Pela janela do apartamento da geógrafa Bertha Becker, na avenida Atlântica, zona sul da cidade do Rio de Janeiro, a imensidão azul do mar de Copacabana escorre pelo horizonte como um tapete sem fim. A vista descansa os olhos, mas se engana quem pensa que é com o olhar no mar que Bertha faz suas análises sobre a Amazônia. Há 30 anos, a pesquisadora percorre todos os estados da região, e é em campo que aprimora uma visão única do que está ocorrendo na floresta, do processo de ocupação e devastação. Bertha é professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), doutora honoris causa pela Universidade de Lyon III, na França, e integrante da Academia Brasileira de Ciências. Difere de muitos intelectuais, por ser incisiva em suas opiniões ao sugerir a economia como solução essencial para a preservação. Aos 72 anos, lançou recentemente, ao lado de Claudio Stenner, o livro Um Futuro para a Amazônia. "A proposta é abrir a cabeça dos jovens, despertar neles o interesse pela região com foco na ciência e na tecnologia", diz ela.


Como aliar preservação ambiental com qualidade de vida das populações locais e ainda desenvolver a Amazônia?

A região tem imensa riqueza de patrimônio natural, mas ela precisa ser tratada com cuidado. Por exemplo, o Brasil necessita da energia gerada por hidrelétricas, que é renovável e limpa, e o país possui enorme quantidade de água. Porém, as hidrelétricas não podem ser construídas como no passado. A Amazônia é uma região sofisticada em termos de natureza, e temos de cuidar dela com a mesma sofisticação. Assim, existem tecnologias avançadas para evitar que as usinas tenham desníveis de barragem muito altos, inundem áreas de grande extensão. Mas o principal, sobretudo, é que a Amazônia não pode mais ser vista como o almoxarifado de recursos naturais de outras regiões do Brasil. No projeto de hidrelétricas, deve haver um planejamento integrado com atividades que gerem benefícios locais A mesma coisa deve acontecer com relação às unidades de conservação, que devem ter manejo adequado para criar cadeias produtivas de cosméticos e fármacos que gerem emprego e renda para a população local. O potencial na Amazônia é fantástico, mas nunca é aproveitado.


Como aproveitar esse potencial de forma a ser transformado em desenvolvimento econômico local?

A Amazônia é sempre utilizada para extrair recursos e manda-los para fora, como se fosse um almoxarifado sem fim. Nada sobra para a região. A posição que defendo é que se implante outro modelo de exploração do patrimônio natural, uma nova perspectiva que tenha como base a ciência e a tecnologia. O que sempre ocorreu historicamente foi a exportação de recursos naturais, sem agregação de valor. Primeiro, para o mercado europeu. Depois, para o americano, como o que houve com a borracha. Isso não cabe mais no século 21. Mas o problema é que a região ainda vive a forma de produção do século 19, em que companhias de mineração queimam a mata para fazer carvão. Precisamos de empresas modernas, de tecnologias avançadas e de grandes investimentos. Mas sempre articulados com a questão ambiental e, sobretudo, social. Existem mais de 20 milhões de pessoas que moram lá e vivem mal, porque os recursos são sempre explorados de forma a mandar as riquezas para fora da região onde é produzida.

É um desafio atribuir valor aos recursos naturais e ao mesmo tempo preservá-los. Como isso é possível?

Existem múltiplas formas de agregar valor aos recursos naturais. O mundo já está mudando, no sentido de sair da "indústria fordista" – megaindústria, megafábricas – para outras mais flexíveis, que utilizem recursos de forma mais e ciente, sem desperdício. Esse é o verdadeiro desenvolvimento sustentável – e não deixar a Amazônia fechada, sem mobilizar seus recursos, como muita gente defende. A questão é moldar novo modelo de desenvolvimento em que ciência e tecnologia definam modos adequados de uso, sem destruição, com distribuição equitativa da riqueza gerada no próprio local.


Como a produção pode contribuir para a preservação?

A Amazônia não entrou na fase fordista de desenvolvimento que afetou São Paulo e o Sudeste do Brasil. Ela ficou à margem desse processo, foi atingida pelas beiradas, pela expansão da fronteira. Podemos, então, implantar uma indústria madeireira moderna, que não explore a madeira apenas para queimá-la ou exporte toras em estado bruto, sem valor agregado. É possível organizar uma indústria decente? Sim, e madeira é o recurso mais ostensivo da floresta. Outro ponto é a biodiversidade. O Brasil tem problema sério de saúde pública, e o potencial em biodiversidade é imenso. A floresta possui muitas espécies que podem ser utilizadas para fármacos. No momento servem para produção de cosméticos, óleos essenciais, xampu. Nós temos um mercado doméstico de saúde pública que é carente. Outro potencial é a pesca. A riqueza de peixes é inigualável, e possuem um sabor maravilhoso. Mas não existe cadeia produtiva organizada de pesca, apenas iniciativas embrionárias e dispersas.


De que forma é possível organizar a cadeia produtiva para que os produtos da floresta cheguem aos centros urbanos?

A Amazônia tem poucas cadeias produtivas organizadas. O que se produz efetivamente lá é uma quantidade mínima. O nosso modelo de desenvolvimento sempre foi monopolista – na riqueza, na produção e no acesso ao mercado. A circulação fluvial não é organizada com o objetivo de desenvolver a região. A cadeia produtiva sempre foi voltada à exportação. Nunca se deu atenção para beneficiar o povo. É preciso organizar a cadeia de produção desde o âmago da floresta, envolvendo as populações locais, até os setores que oferecem os serviços. Os empresários se interessam muito mais em exportar o produto, sem agregar valor ao local, e isso nunca gerou desenvolvimento. Organizar a cadeia produtiva é tarefa que exige serviços especializados e indústria. Daí vem a minha segunda tese: há que se fortalecer as cidades da Amazônia, porque é lá que se concentram serviços, indústria e comércio. O município tem de ser o nó da cadeia produtiva em que os produtos da floresta são processados e comercializados. Isso não apenas em Manaus e Belém mas em cidades médias. Os serviços são um dos fatores-chave do desenvolvimento da Amazônia.


Quais tipos de serviço podem ser fomentados?

Aqueles que atendam às necessidades básicas de educação e saúde e sirvam para processar a produção. E também têm de existir serviços avançados especializados, de alto valor agregado – jurídico, gestão, produção de conhecimento, contabilidade, marketing. Na Amazônia, eles têm de dar conta do grande potencial que é o capital natural: os serviços ambientais. Antes se valorizava apenas o estoque de recursos dos ecossistemas: ferro, madeira. Hoje já se atribui valor às funções da natureza. Essa é uma mudança qualitativa: a natureza é transformada em capital natural e oferece múltiplos meios de produção. Um exemplo é o mercado de carbono, que está a pleno vapor e que é essencialmente de serviço ambiental. Temos novo e imenso potencial na transformação da natureza em capital natural. Mas é preciso ter ciência e tecnologia.
Como fazer com que esses serviços sejam prestados nas próprias cidades amazônicas e não no exterior?
Eu sugiro transformar Manaus numa cidade mundial, com base na organização da prestação de serviços ambientais. Isso é uma bomba. Uma hipótese e sugestão únicas. Mas, para tanto, é preciso rechear as cidades na Amazônia de conhecimento científico e tecnológico ligados ao meio ambiente, como advogados que entendam da questão ambiental. Eu proponho uma bolsa de valores em Manaus para negociar o carbono de serviço ambiental. Por que tem de ser em Chicago ou na Europa? Essas informações fazem parte da minha pesquisa atual, e que estou encaminhando ao governo federal.
Problemas básicos, como o caos fundiário, ainda não foram resolvidos. Doar títulos pode ser uma solução?
Eu acho que é preciso encarar de frente esse problema de falta de títulos de terra e resolver a questão fundiária de uma vez por todas. Vivemos numa sociedade capitalista; se não existir defesa da propriedade, sempre ficará a sensação de que é possível avançar sobre terras alheias. Mas não acho que as áreas desmatadas devam ter a mesma regulamentação fundiária que os locais de floresta densa. Nesse caso, penso que não se deveria simplesmente fornecer títulos definitivos de terra, sem custo, para quem tem a posse. O melhor a fazer seria um sistema de concessões públicas a investimentos e projetos que atuem nessas áreas preservadas e contribuam para sua sustentabilidade.
A Amazônia é uma terra sem lei? Falta a presença do Estado?
Esse é um tema interessante, porque não se trata propriamente de ausência, e sim de omissão. Em alguns momentos o Estado é presente, mas omisso porque lhe interessa. É um jogo geopolítico de poder, uma ambiguidade. Faço muita pesquisa de campo e escuto a população reclamar da falta do Estado. Mas isso não significa dizer que ele está totalmente ausente. Em algumas áreas o Estado não está omisso, mas é tolerante e deixa passar situações que não deveria permitir. Já em outras ele está presente como dono das terras dos antigos territórios que se transformaram em governos estaduais, como Tocantins e Amapá.
A senhora sempre vai a campo para suas pesquisas. O que tem observado com base nessa visão interna da região?
Sempre chamei a Amazônia de fronteira. Não apenas como limite territorial mas no sentido de ser fronteira com os mais novos acontecimentos globais. Lá é possível observar as tendências mais recentes em curso no mundo. As grandes transformações mundiais são mais fáceis de ser percebidas na Amazônia do que no Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo, em que a complexidade da vida social, econômica e política é tão grande, entremeada de tantas informações, que é difícil captar algum rumo novo. Novidades que estão começando a acontecer no mundo podem ser sentidas logo lá. O local é ponta-de-lança de ideias inovadoras no que diz respeito às mudanças que o sistema capitalista está tomando, às tendências da economia mundial.
Além da diversidade ecológica, a Amazônia possui igualmente variedade de culturas tradicionais. Como é possível preservar essas culturas amazônicas no mundo contemporâneo? É um enorme dilema. Temos a obrigação de preservar as culturas da Amazônia, o que não significa deixá-las isoladas. No caso dos índios, que conheço melhor, é preciso estabelecer um programa de atividades que permita obtenção de renda às comunidades para que elas possam preservar sua cultura. Sem formas de manter-se economicamente, nenhuma cultura sobreviverá.

SIMPLE PLAN NO BRASIL


Olá Galera, que curti o SIMPLE PLAN, preparesse que eles irão fazer sete shows no nosso lindo e maravilhoso BRASIL. Mas fiquei muito triste porque eles não virão a minha cidade, SALVADOR. É uma grande pena.

Não é apenas o som alternativo muito aqui no Brasil.


Mas a sua popularidade entre os seus fãs e os demais, também é graças as nobres causas que traz a banda com a Fundação Simple Plan, que prestam auxílio a adolescentes com problemas que vão de tendências suicidas a vício em drogas e pobreza. A Simple Plan Foundation dará cursos de educação musical aos jovens e ajudará jovens a encararem problemas pesados.

E não para por aí, o vídeo e música do novo single, SAVE YOU(feito pelo vocalista Pierre em homenagem a seu irmão Jay, que se recuperou de câncer ) estão sendo vendidos pela internet para ajudar as pessoas com câncer no seu país, o Canadá.


No site abaixo vocês podem conferir o tour dos meninos e saber um pouco mais sobre a fundação e etc:


Vídeo Save You no YouTube:
Simple Plan I love the sound of you and the causes for which you struggle. And please come to Salvador in Brazil!

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Limites na Adolescência

A adolescência é uma fase de construção de personalidade, então tudo o que foi absorvido na infância e durante essa fase irá refletir na sua formação, enfim na sua fase adulta. As limitações devem ser enfatizadas nesta fase, ou seja, durante a formação do indivíduo. Como o limite será contestado pelo adolescente, deverá dosado. Esta é a palavra chave para o sucesso quando impomos limites, seja no convívio familiar, ou nos relacionamentos sociais.

Porque dosado? Limite em excesso acaba por reprimir o adolescente e na sua ausência, resulta em irresponsabilidade e na dependência. Ao invés de impor uma lista de regras e outros mecanismos, a confiança seria o melhor para a redução dos limites, mas as famílias do mundo inteiro não são homogêneas.

Por outro lado, melhor que impor limites é estabelecer o diálogo.

As famílias que lidam com adolescentes rebeldes deveriam tentar dialogar sem impor, sem criticar, como se fosse uma conversa de aproximação, como em uma relação iniciante de amizade. Em certos casos, quando limites não são dados em um âmbito familiar, na maioria das vezes esse papel é repassado ao professor, que convive boa parte do dia com o adolescente. O professor acaba ocupando um cargo que não lhe é recompensado financeiramente, o de educar os filhos de outros.

O que leva ao professor a ocupar este encargo, certamente, é falta de tempo ou falta de pulso dos pais. Essa ausência pode resultar na formação de um adulto inconseqüente, irresponsável e, possivelmente, corrupto, receita completa para uma sociedade cheia de discriminação, desrespeito e intolerância.

Entendemos que os adolescentes desta nossa geração são muito influenciados pela mídia resultante do processo de globalização, o que provoca a tomada de atitudes superficiais, impensados, sem opinião mais balizada. Isto dificulta quando, mesmo ainda adolescentes, têm que tomar decisões para toda a vida. Por exemplo, quando devem decidir sobre a carreira, sua sexualidade ou outros fatos que exigem dele certa reflexão, a dificuldade ocorre, porque este adolescente não tem opinião própria, mas construída, preparada e moldada pelo sistema global.